Um novo começo

A vida é uma sucessão constante de "primeiras vezes". É necessário encará-las para o nosso crescimento pessoal.

Por João Renato Amorim 27/11/2019 - 21:31 hs

Confesso: escrevi estas linhas com um certo nervosismo. As primeiras (de muitas) que endereço a ti, caro leitor, razão de ser de um escriba, talvez foram as primeiras em que fiquei em uma situação, digamos, inédita. Uma miscelânea de sentimentos e dúvidas se acumulavam cada vez que digitava uma tecla. As ideias fugiam como um animal lépido. É muito provável que toda essa sensação seja típica de ocasiões inesperadas, nas quais não sabemos reagir ante o novo. Assim são as “primeiras vezes” de cada um, boas ou más.

O primeiro dia de aula, onde conhecemos o primeiro (ou primeira) a nos ensinar o bê-a-bá, os primeiros amigos, os primeiros tombos, a primeira ida a um lugar marcante, o primeiro contato com o mar, o primeiro beijo. “Borboletas” no estômago, mão escorregadia, aquele entrave na voz, o coração a palpitar. Esses são alguns dos sintomas da moléstia não-contagiosa e inerente ao ser humano e sem nenhuma contraindicação. Por mais que o tempo passe ou as circunstâncias não sejam aquelas a quais idealizamos, essas novas e ínfimas estreias, que duram menos que um piscar de olhos, ficam gravadas em nossas retinas e vão formando a nossa coleção de memórias.

O mundo digital, cada vez mais presente nos mínimos detalhes do cotidiano, ainda é, para mim, esquisito de imediato. Para quem se acostumou a vida inteira ao tato, ao aroma e até ao som do papel, o toque frio e plasmático dos aparatos tecnológicos é algo sem alma, quase sem vida. As folhas impressas despertaram em mim a paixão pelas letras e, por consequência, a definir o meu ofício. Se adaptar a essa nova realidade impositiva é desafiador. É como enfrentar uma odisseia em mares nunca antes navegados.

Estudos científicos comprovam que as informações, quando impressas, são mais fáceis de gravar na mente se comparada com a que vemos ou deslizamos na timeline de qualquer rede social, por exemplo. A retenção das informações que recebemos de forma contumaz através de notificações, é baixíssima e duram menos que uma bolha de sabão, caducando em uma velocidade espantosa. 

É um reflexo da transformação na forma de produzir conteúdo, que foi avassaladora. Os que estavam no mercado, nas mais variadas mídias, ou foram impelidos a se adaptar às pressas a maneira de levar o produto final ao consumidor ou pereceram, mais cedo ou mais tarde, seja por inútil resistência ou por erros estratégicos. O processo tornou-se irreversível e irrefreável sem previsão de término.

Outra peculiaridade, está no fato de aquilo que é impresso ficar indelével, como uma tatuagem, impossibilitando alterar o passado. "O que imprimiu, ficou na história", diria uma professora da faculdade. Já aqui, qualquer linha, parágrafo, ou uma mísera vírgula que desagrade ao autor pode ser sumariamente mandado para o espaço sem escrúpulos. Talvez seja essa uma grande vantagem dos que trabalham no ainda fresco universo digital.

A intenção inicial deste espaço é abordar os mais diversos assuntos, sobretudo os que tenho certo apreço. Todavia, adianto aos leitores, atuais e futuros, que esse intuito pode ser modificado sem o prévio aviso. Em suma: para usar uma expressão usada no Nordeste do Brasil, nesta coluna você verá “de um tudo”.

A este novel colunista se impõe uma múltipla tarefa: o desafio de escrever o que se passa em nosso cotidiano em um lugar totalmente desconhecido e aceitar o fato de ser um colunista, assim como tantos outros a qual admiro e reverencio. Creio que, aos poucos, me acostumarei com as novas incumbências. A vida, além dessas ocasiões inesperadas, é constituída de superação. E é nos momentos de contenda renhida que mais crescemos e evoluímos, acumulando experiência, fator fundamental para tomar as melhores decisões na nossa existência.

Sem mais delongas, agradeço, sobretudo, a Deus por viver esse momento e a todos aqueles que me fizeram chegar até aqui, em especial a quem me garantiu a oportunidade de desempenhar meu trabalho, pela primeira vez, em um portal de notícias estritamente digital. E, mais do que isso, aos que, futuramente, aguardarão os próximos textos, relevando a forma rudimentar deste que vos escreve em descrever os fatos com um olhar próprio. Seja muito bem-vindo e volte sempre! E que seja feliz!