Quero descansar, mas o mundo não deixa

Essas semanas estão sendo destinadas apenas a merecidas férias. O problema é que o mundo sempre produz pauta para virar tema de coluna...

Por João Renato Amorim 16/01/2020 - 22:45 hs

Pretendo ser o mais sucinto possível. A época do ano não é propícia para desfiar em linhas tudo que acontece ao nosso redor. Quero evitar qualquer desgaste para voltar a falar no tempo certo sobre o que se deve. O momento atual é de relaxar e aproveitar cada dia do sagrado direito de repouso até nos defrontarmos, mais uma vez, com a velha rotina que nos exausta e nos satura. É reconfortante saber que sempre existirão períodos de gozo pleno. O ócio, potencializado com uma alta dose de preguiça, é o maior obstáculo para abordar os fatos recentes.

Poderia, por exemplo, dar uma visão pessoal sobre o assunto que ocupou as capas dos jornais, as homepages dos portais e os noticiários de rádio e TV nos primeiros dias do vigésimo ano do (ainda) jovem primeiro século do (também) jovem terceiro milênio: a morte do líder da Guarda Revolucionária do Irã, Qasem Soleimani, por parte do exército norte-americano, quando estava prestes a escapulir do Iraque, onde fomentou uma tentativa de invasão à embaixada dos Estados Unidos na capital Bagdá sob a liderança de partidários (?) do grupo assassino libanês Hezbollah.

A execução cirúrgica foi o estopim para aumentar a temperatura da já fervente relação entre Washington e Teerã e, em horas, correu o risco de colocar o mundo, talvez, em um conflito catastrófico a nível mundial com o uso iminente de ogivas nucleares.

O iraniano abatido, que pretendia ser o “sucessor de Xerxes”, outrora todo-poderoso do extinto império Persa, como diria um dos meus mestres no ofício, Alexandre Garcia, era líder do exército paralelo ao oficial, cuja função era “manter” os ideais tresloucados baseados no Corão, o livro sagrado do Islã, que viraram o Irã de cabeça para baixo a partir da “revolução” capitaneada pelo aiatolá Khomeini e propagada, em parte, por fitas cassetes no já distante 1979, oprimindo o seu próprio povo que clama por liberdade.

Queria ser um “Xerxes da nova era” pois foi o responsável direto, nas últimas décadas, por dar auxílio logístico e financeiro a grupelhos terroristas que mancham de sangue o Oriente Médio, tentando propagar nos países da região um regime autoritário tal qual o mantido hoje pelos aiatolás que tornaram o Irã em uma das duas teocracias existentes no globo ao lado do ínfimo, católico e não-tirânico Vaticano.

Entre esses grupos financiados por Soleimani - talvez o principal - está o Hezbollah, responsável pelos protestos na entrada da embaixada dos EUA. Eles, com origem e base no Líbano, alimentam o sonho de tomar o poder em Beirute para, assim como explicado antes, transformar a nação onde há uma certa tolerância religiosa em mais uma filial para instalar cadafalsos e enforcar os que se recusam a gritar “Allahu Akhbar” (Alá é grande, em árabe), a profissão de fé dos muçulmanos.

O visgo que mantém essas organizações terroristas é um só: não bastasse aplicar a Sharia, código de “moral” repugnante que, entre outras coisas, pune os infratores com decapitações, apedrejamentos ou chibatadas em praça pública, eles estão afinados no objetivo obsessivo de liquidar a única democracia da região:  o Estado de Israel. A ideia é transformar todo o território israelense, das Colinas de Golã ao Golfo de Ácaba, em um imenso Deserto de Negev e concretizar a missão fracassada por seus antepassados nas guerras dos Seis Dias (1967) e do Yom Kippur (1973). A justificativa usada é a de uma pretensa retomada ao que eles consideram "terra sagrada" sem nenhuma a corroborar tal argumento.

Além de ter sido tratado ad nauseaum na imprensa em geral, REPITO, não quero dar a visão particular sobre o fato. Apesar de ter um interesse por assuntos da geopolítica, não pretendo ser “profundo como um pires” e escrever de forma presunçosa um tema em que pessoas tem conhecimento exemplar e outros acham que sabem de algo e insistem na própria mentira, correndo o grande risco de produzir conteúdos eivados de mentiras, erros de dados e opiniões subjetivas disfarçadas de fatos, com a grande possibilidade de produzir desinformação.

No mais, me limito a dizer, também, que se os adversários do presidente americano Donald Trump estavam de dedos cruzados esperando o fracasso retumbante da missão, tendo assim farto material de propaganda a usar contra o já sacramentado candidato do Partido Republicano para as eleições no país em 3 de novembro próximo, eles terão que encontrar algum pêlo em ovo ou outro “impeachment” sem pé nem cabeça para tentar derrotar um mandatário com crescimento constante em sua popularidade.

Enfim, dito tudo isso, reafirmo minha intenção de não falar nesse assunto. Aos leitores, desejo um grande 2020 com atitude, coragem e grandes realizações.

Fiquem tranquilos. A Terceira Guerra Mundial foi adiada até não se sabe quando. E NÃO SE FALA MAIS NISSO!