Ideias em branco

A noite de sexta-feira é o momento em que tudo é permitido, menos escrever um texto...

Por João Renato Amorim 31/01/2020 - 22:30 hs

Sexta à noite. Momento sagrado de desfrutar a vida após mais uma semana de atribulações do dia a dia. Período minúsculo em que reunimos os amigos - e desafetos - em algum bar ou similar e, à medida que o nosso nível de consumo etílico aumenta, desandamos a falar mal do chefe ingrato, do time de futebol que teima em jogar mal, do governo e até do sujeito que não vamos com a nossa cara e foi chamado por alguém para estar com os demais sob o risco de tomar uns piparotes. O cenário é a realidade de uma parte significativa da massa urbana trabalhadora em um país onde não falta motivos para tomarmos um belo porre.

É o momento ideal para extravasarmos. O brasileiro, criativo como ele só, há pouco tempo resolveu mudar de maneira informal o nome do dia sacro para “sexta-breja”, dado o elevado consumo do nobre líquido resultante do casamento perfeito da água, da cevada e do álcool. Outros, tentando perverter a estrutura de nossa língua-mãe, transformaram o substantivo no verbo “sextar”, cujo um dos sinônimos com múltiplos significados e sinônimos.

Sexta à noite. Não estou em uma mesa de bar a esquecer as obrigações chatas de toda santa semana. Apesar de motivos não faltarem para chamar uns conhecidos e só desejar viver e conviver os momentos de congraçamento com a vã esperança de não haver amanhã entremeados de goles de cervejas, petiscos e besteiras. Passo, talvez, por um problema ainda maior: não ter a mínima ideia sobre o que escrever neste espaço.

Juro, nobre leitor que me atura, tentei encontrar a todo custo algum motivo ou pretexto para desenvolver uma coluna nova. A medida do passar das horas, meu cérebro teimava em não encontrar nada. E eis que chega a noite de sexta-feira. Era a última esperança para, finalmente, escrever um texto. Ledo engano. Quero colocar as ideias no papel para ter um roteiro simples e, aí sim,  começar a desenvolver, mas a preguiça mental e o cair da noite na Cidade Natureza me nocauteiam.

Por isso vos recomendo: desfrute deste momento tão sagrado em vossas vidas! Faça aquilo que lhes der na telha sem dar satisfação a ninguém. Claro, respeitando a ordem vigente e sem interferir na liberdade alheia. Até Deus, muito provavelmente, findado a criação do mundo após sete dias, deu os retoques derradeiros em sua obra antes das seis da tarde de uma sexta, só assim podendo “sextar” a vontade depois de tão extenuante trabalho. Ah, ia me esquecendo! Desliguem-se completamente de seus afazeres, entre eles, escrever um texto. Vão por mim. É um esforço inútil.

A todos e em especial a quem me deu a oportunidade de desenvolver meu pobre talento, quero pedir minhas sinceras desculpas. Confesso não ter mais vontade e disposição em escrever mais nada. Mas apenas no momento, ressalte-se. Culpa da noite de sexta. Em momentos assim, como queria bebericar um gole de uma cerveja trincando de gelada, ainda mais com esse calor, ou, quem sabe, saborear uma bela pizza propícia para a ocasião. Aproveite bem seu fim de semana e até uma próxima. Prometo trazer novas no devido tempo. Cordiais saudações e JUÍZO! MUITO JUÍZO!